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Mostrando postagens de fevereiro, 2015

Sonhos Dom-quixotescos

Olhos sidéreos, que evocam esse mar de azuis infindos no obscuro horizonte. Olhos que me intrujem!… Deixam-se a tremar o elo — a linha entre a agulha burra e a ponte. Que ponte?… A ponte que liga esse devir com o cotidiano do café preto. Olhos que me fazem partir — vou sem ti? — ; pelas intrigas de livros, navego. Sorvo esses olhos minérios, bastantes fermosos; não obstante, cintilantes, como faróis de sóis em arabescos. Cuido que esses olhos assimétricos perscrutam-me, azedamente, por idos e vividos sonhos dom-quixotescos. Alfim, esses olhos dos assépticos anos que me devoram em partidos pedaços de grãos gigantes, dantescos. 8-II-2015. Autor: Edigles Guedes.

Desditoso Pirilampo

Sob o céu tão cálido, a Lua vaga à toa; sobre o chão dessa praça, os teus sapatos tinem uma canção, qual velha garoa, que se perdura nos celestiais atos. Sob as estrelas cintilantes, voeja um pirilampo tão cético de si!… Enfadonho e cafona, o inseto andeja de flor em flor, em obtuso frenesi. De súbito, o parvo animal hospeda-se no teu ombro, minha Dama. (Cerimônia não teve ao recostar-se!) Deleita-se, Por um brevíssimo tempo, em tua pele lívida, da cor de leite ou begônia.    O bicho entorta a torneira sem ele. Enciumado. Movido por visceral cupidez, eu não poupo a parcimônia das mãos. Zás! Morre o carrasco sideral!… 8-II-2015. Autor: Edigles Guedes.