Desditoso Pirilampo


Sob o céu tão cálido, a Lua vaga à toa;
sobre o chão dessa praça, os teus sapatos
tinem uma canção, qual velha garoa,
que se perdura nos celestiais atos.

Sob as estrelas cintilantes, voeja
um pirilampo tão cético de si!…
Enfadonho e cafona, o inseto andeja
de flor em flor, em obtuso frenesi.

De súbito, o parvo animal hospeda-se
no teu ombro, minha Dama. (Cerimônia
não teve ao recostar-se!) Deleita-se,

Por um brevíssimo tempo, em tua pele
lívida, da cor de leite ou begônia.   
O bicho entorta a torneira sem ele.

Enciumado. Movido por visceral
cupidez, eu não poupo a parcimônia
das mãos. Zás! Morre o carrasco sideral!…


8-II-2015.

Autor: Edigles Guedes.

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