Desfraldada nau




E chegas, e passas, com teu vestido
de cetim vermelho da cor da paixão…
Congela-se tão brunido o tempo ido,
perante meu olhar de grão bonachão…

E chegas, e deitas, tal qual gatinha
dengosa em cesta de almofadas macias…
Pareces passarinho que se aninha
em asa amiga; cais sem vãs cobardias…

Eis que perto de ti sou vil fagulha!…
Perto… sinto-me linha sem agulha,
alfinete do apólogo demente!…

Contigo — passo o dígrafo das horas,
um minuto séquito foi-se embora…
Sozinho: advérbio sou sem entrementes…

Tu fazes da minha insônia dormente
ser, quando chegas como desfraldada
nau nos meus laços braços e mais nada!…

31-XII-2012.

Autor: Edigles Guedes.

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