Marasmo Anatemático


Debruço-me na janela dos teus olhos…
Ah! janela tão pequena quanto caixa
de fósforo; que, dependurada faixa,
avisa: marasmo, vende-se aos molhos!…

O que houve contigo?… Já me não queres
bem às cartas, que com tanto zelo, anelo
e pranto as escrevi… Que medo amarelo
te afliges em mar undoso?… Se me não deres

o teu Amor por vil questão de aritmética
do lucro capitalista, certamente,
encontrarás um mar de dor sem tísica.

Mar de abundante desassossego sente
as ondas tenebrosas… Sus! aidética
hora que te conheci!… Que viver doente!…

Dor — que me constrange — por metafísica
do peito ofegante e sem pulmões, parente
arfante da sentença anatemática!…


5-IV-2015.

Autor: Edigles Guedes.

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