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Marasmo Anatemático

Debruço-me na janela dos teus olhos… Ah! janela tão pequena quanto caixa de fósforo; que, dependurada faixa, avisa: marasmo, vende-se aos molhos!… O que houve contigo?… Já me não queres bem às cartas, que com tanto zelo, anelo e pranto as escrevi… Que medo amarelo te afliges em mar undoso?… Se me não deres o teu Amor por vil questão de aritmética do lucro capitalista, certamente, encontrarás um mar de dor sem tísica. Mar de abundante desassossego sente as ondas tenebrosas… Sus! aidética hora que te conheci!… Que viver doente!… Dor — que me constrange — por metafísica do peito ofegante e sem pulmões, parente arfante da sentença anatemática!… 5-IV-2015. Autor: Edigles Guedes.

Sonhos Dom-quixotescos

Olhos sidéreos, que evocam esse mar de azuis infindos no obscuro horizonte. Olhos que me intrujem!… Deixam-se a tremar o elo — a linha entre a agulha burra e a ponte. Que ponte?… A ponte que liga esse devir com o cotidiano do café preto. Olhos que me fazem partir — vou sem ti? — ; pelas intrigas de livros, navego. Sorvo esses olhos minérios, bastantes fermosos; não obstante, cintilantes, como faróis de sóis em arabescos. Cuido que esses olhos assimétricos perscrutam-me, azedamente, por idos e vividos sonhos dom-quixotescos. Alfim, esses olhos dos assépticos anos que me devoram em partidos pedaços de grãos gigantes, dantescos. 8-II-2015. Autor: Edigles Guedes.

Desditoso Pirilampo

Sob o céu tão cálido, a Lua vaga à toa; sobre o chão dessa praça, os teus sapatos tinem uma canção, qual velha garoa, que se perdura nos celestiais atos. Sob as estrelas cintilantes, voeja um pirilampo tão cético de si!… Enfadonho e cafona, o inseto andeja de flor em flor, em obtuso frenesi. De súbito, o parvo animal hospeda-se no teu ombro, minha Dama. (Cerimônia não teve ao recostar-se!) Deleita-se, Por um brevíssimo tempo, em tua pele lívida, da cor de leite ou begônia.    O bicho entorta a torneira sem ele. Enciumado. Movido por visceral cupidez, eu não poupo a parcimônia das mãos. Zás! Morre o carrasco sideral!… 8-II-2015. Autor: Edigles Guedes.

Desfraldada nau

E chegas, e passas, com teu vestido de cetim vermelho da cor da paixão… Congela-se tão brunido o tempo ido, perante meu olhar de grão bonachão… E chegas, e deitas, tal qual gatinha dengosa em cesta de almofadas macias… Pareces passarinho que se aninha em asa amiga; cais sem vãs cobardias… Eis que perto de ti sou vil fagulha!… Perto… sinto-me linha sem agulha, alfinete do apólogo demente!… Contigo — passo o dígrafo das horas, um minuto séquito foi-se embora… Sozinho: advérbio sou sem entrementes… Tu fazes da minha insônia dormente ser, quando chegas como desfraldada nau nos meus laços braços e mais nada!… 31-XII-2012. Autor: Edigles Guedes.