Sonhos Dom-quixotescos
Olhos sidéreos, que evocam esse mar de azuis infindos no obscuro horizonte. Olhos que me intrujem!… Deixam-se a tremar o elo — a linha entre a agulha burra e a ponte. Que ponte?… A ponte que liga esse devir com o cotidiano do café preto. Olhos que me fazem partir — vou sem ti? — ; pelas intrigas de livros, navego. Sorvo esses olhos minérios, bastantes fermosos; não obstante, cintilantes, como faróis de sóis em arabescos. Cuido que esses olhos assimétricos perscrutam-me, azedamente, por idos e vividos sonhos dom-quixotescos. Alfim, esses olhos dos assépticos anos que me devoram em partidos pedaços de grãos gigantes, dantescos. 8-II-2015. Autor: Edigles Guedes.